Cabo Frio

 

História 

 
 
 
Município de Cabo Frio
Vista de Cabo Frio

Vista de Cabo Frio
Bandeira de Cabo Frio
Brasão de Cabo Frio
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 13 de novembro de 1615 (398 anos)
Gentílico cabo-friense
Prefeito(a) Alair Francisco Corrêa (PP)
(2013–2016)
Localização
Localização de Cabo Frio
Localização de Cabo Frio no Rio de Janeiro
Cabo Frio está localizado em: Brasil
Cabo Frio
Localização de Cabo Frio no Brasil
22° 52' 44" S 42° 01' 08" O
Unidade federativa  Rio de Janeiro
Mesorregião Baixadas Litorâneas Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/2008 1
Microrregião Lagos Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/2008 1
Municípios limítrofes AraruamaArmação dos Búzios,Arraial do CaboCasimiro de Abreu,São Pedro da Aldeia e Silva Jardim
Distância até a capital 155 km
Características geográficas
Área 400,693 km² 2
População 200 380 hab. Censo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/20133
Densidade 500,08 hab./km²
Altitude m
Clima Tropical Aw
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,735 (RJ: 19º) – alto Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento/2010 4
PIB R$ 6 551 707,000 mil (BR: 87º) – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/20105
PIB per capita R$ 35 181,29 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/20105
Página oficial

A ocupação humana das terras onde viria se estabelecer o município de Cabo Frio teve início há mais ou menos 6 000 anos, quando um pequeno bando nômade de famílias chegou em canoas pelo mar e acampou no Morro dos Índios, então uma pequena ilha rochosa na atual barra da Lagoa de Araruama e ponto litorâneo extremo da margem de restinga do Canal do Itajuru.

Conforme as evidências arqueológicas encontradas nesse sambaqui, que mais tarde seria abandonado pelo esgotamento de recursos para sobrevivência, o grupo nômade dispunha de tecnologia rudimentar e baseava-se numa economia de coleta, pesca e caça, onde os moluscos representavam quase todo o resultado do esforço para fins de alimentação e adorno. Há mais de 1 500 anos, os guerreiros indígenas tupinambáscomeçaram a conquista do litoral da região.

Os restos arqueológicos das aldeias tupinambás na região de Cabo Frio ("Três Vendas", em Araruama e Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia em São Pedro da Aldeia) e também nos acampamentos de pesca ("Praia Grande", no Arraial do Cabo) evidenciam uma adaptação ecológica mais eficaz que a dos bandos nômades pioneiros. O profundo conhecimento biológico da paisagem regional, em particular da Lagoa de Araruama e dos mares costeiros riquíssimos em recursos naturais, fez com que o pescado se tornasse a base alimentar dos tupinambás, reforçada pela captura de crustáceos, gastrópodes e moluscos.

A vegetação de restingas e mangues da orla marítima oferecia excepcionais possibilidades de coleta de recursos silvestres, o que levou ainda à horticultura de várias espécies botânicas, destacando-se a forte presença da mandioca no cardápio, bem como ao domínio das técnicas de cerâmica. A caça, atividade masculina exclusiva, era muito importante como complemento de proteínas na dieta alimentar dos grupos locais.

Os índios tupinambás batizaram a região de Cabo Frio como "Gecay", que era o nome do único tempero da sua cozinha, feito com sal grosso cristalizado. Nos terrenos onde viria a se estabelecer a município de Cabo Frio, foram encontrados quatro possíveis sítios tupinambás. Os dois primeiros, o Morro dos Índios e a Duna Boavista, apresentam indícios de serem acampamentos de pesca e coleta de moluscos, enquanto o terceiro, a Fonte do Itajuru, próxima do morro de mesmo nome, era a única forma segura de abastecimento de água potável e corrente disponível na restinga.

Na referida elevação junto à fonte, o atual Morro da Guia, acha-se o sítio mais importante da região e um dos mais relevantes do Brasil pré-cabralino: o santuário da mitologia tupinambá, formado pelo complexo de pedras sagradas do Itajuru ("bocas de pedra" em tupi). Sobre estes blocos de granito preto e granulação finíssima, com sulcos e pequenas depressões circulares, os índios contavam histórias do seus heróis feiticeiros que ensinavam as artes de viver e amar a vida. Quando estes heróis civilizadores morriam, transformavam-se em estrelas, até que o sol decidisse enviá-los ao Itajuru, sob forma de pedras sagradas, para serem veneradas pela humanidade. Caso fossem quebradas ou roubadas, todos os índios desapareceriam da face da terra.

Em 1503, a terceira expedição naval portuguesa para reconhecimento do litoral brasileiro sofreu um naufrágio em Fernando de Noronha e a frota remanescente se dispersou. Dois navios, sob o comando de Américo Vespúcio, seguiram viagem até a Bahia e depois até Cabo Frio. Junto ao porto da barra de Araruama, os expedicionários construíram e guarneceram com 24 cristãos uma fortaleza-feitoria para explorar o pau-brasil, abundante na margem continental da lagoa.

Este estabelecimento comercial-militar pioneiro, que efetivou a posse portuguesa da nova terra descoberta e que deu início a conquista do continente americano, foi destruído, em 1526, pelos índios tupinambás, em função das "muitas desordens e desavenças que entre eles houve".

Os franceses traficavam pau-brasil e outras mercadorias com os índios, na costa brasileira, desde 1504. Durante as três primeiras décadas do século XVI, praticamente restringiram sua atuação ao litoral da região nordeste. A partir de 1540, por causa do rigoroso policiamento naval português nestes mares, os franceses exploraram o litoral e levantaram os recursos naturais de Cabo Frio. Em 1556, construíram uma fortaleza-feitoria para exploração de pau-brasil, na mesma ilhota utilizada anteriormente pelos portugueses, junto ao porto da barra de Araruama. A Maison de Pierre ("Casa de Pedra") cabofriense ampliou e consolidou o domínio francês no litoral sudeste, iniciado com o Forte Coligny no Rio de Janeiro, um ano antes.nb 1

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